sábado, 15 de abril de 2017

BI p o l a r

Eu sou a melhor pessoa da face da terra
Eu sou um pessoa terrível

Eu sou tão incrível
Eu sou tão, tão horrível

Ele me ama, certeza
É certeza que ele está mentindo

Eu sou linda
Eu tenho que ser tão feio?

Alguém que saia comigo deve ser muito feliz
Pra que diabos alguém iria querer sair comigo? 

Não me importa o que os outros pensem sobre meu gênero
Será que se eu fosse mais masculina? Ou então se eu cortasse mais meu cabelo e parasse de fazer a sobrancelha?

Eu vou de "boy" mesmo e foda-se
Acho que aquele cara não chegou porque eu pareço "mina lesbica"

Minha mãe não viveria sem mim
Ela não me quer por perto

Meus amigos nunca vão me abandonar
Eu ainda tenho amigos?

As pessoas ainda se importam
Que pessoas?

Cara, eu escrevo muito bem
Véi, que bosta que eu escrevi aqui

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Insônia

Hoje eu sofri com a insônia (somada a cólica e a dor no siso que nasce). Hoje eu não dormi. Como distração fiquei vendo vídeos que deveriam de algum modo me empoderar, me animar. Mas não há vlog que me faça mudar minha perceptiva sobre mim e, geralmente, é que me mantem acordada durante as madrugadas. Eu sou horrível e ponto. Não constatei isso pela minha aparência, eu sei que não sou o ser mais normal socialmente, eu choco com meu cabelo, com minhas roupas, com o meu peso, mas estou acostumada comigo mesmo. Eu digo isso no sentido de pessoa - caráter, valores, personalidade, como queira chamar -, nas minhas relações interpessoais. As vezes, eu me sinto uma boa pessoa, algumas pessoas especiais reforçam isso (sinceramente elas não me conhecem bem), porém a grande maioria do tempo eu só consigo me ver como os outros me afirmam, como uma pessoa horrível, que machuca os outros sempre que pode. 

Tentarei abreviar um pouquinho da história: minha vida não foi muito fácil desde antes de eu ser fecundado, ao descobrirem, ao nascer, mas aos 14 ela piorou muito. Perdi minha avó, alguns meses depois, meu tio também, para o câncer. Eu nunca lidei bem com a perda e naquele momento eu perdi, de uma vez praticamente, as duas pessoas que eu mais amava. Hoje fazem sete anos, mas ainda dói como no dia. E não é exagero. De tanto não consegui lidar com a dor e a perda, eu comecei a entrar em um estado deplorável - eu não fui a única, a família toda passou por uma barra e uns quase que não conseguiram passar, como meu primo. Então depois de dois anos, de cortes, de tentativas de suicídio bem fails, de quilos a mais, de agressões com lapso de memória, me levaram ao médico e foi constatado que eu tinha/tenho Transtorno de Humor Bipolar nível dois, que significa que eu oscilo bem mais que os outros humanos e no meu caso, passo a maior parte do tempo entre a depressão e o estresse, tendo pequenos surtos de euforia que logo se dissipam em estresse novamente. Não é grave, não tem muitas consequências e é controlável, se você está medicado. Eu não aguentava mais oito remédios ao dia que me deixavam uma zombie e pedi alta. Fazem dezoito meses que estou em alta (ou faziam) e os últimos seis foram extremamente difíceis. Não só de acontecimentos fora da minha mente, como câncer e o transplante do meu pai, mas dentro dela também, pois falhei na missão de me controlar sozinha. Estou instável (demais).

Eu sei que é muito difícil conviver comigo, a mesma brincadeira que me fez gargalhar ontem, hoje pode me fazer querer quebrar a sua cara ou chorar desesperadamente. Pode nem ser de um dia para o outro, pode ser no mesmo momento - tipo um tatu bolinha, como uma amiga descreve a namorada, eu me fecho sombriamente. O que faz com que as pessoas geralmente se sintam culpadas, como se tivessem provocado tal reação, e/ou se sintam sobrecarregadas em ter que repartir da minha dor. Isso não acontece somente com familiares ou amigos de longa data, mas com todos que passam por mim, seja num encontro, um pequeno namorico ou uma amizade de faculdade que acabará junto com o curso. Então em toda insonia eles me vem a cabeça, cada uma das pessoas que eu machuquei e as que eu imagino que tenha feito o mesmo. Eu sinto muito, de verdade, dói [fisicamente] até...ver o quanto eu os firo sem querem, como os afasto, como os enlouqueço junto comigo. E eu sinceramente não sei como parar, essa última parte não me deixa ficar em paz.

Com o perdão do desabafo.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

"TODOS" NÃO!

Quem me conhece (bem) sabe que eu adoro a Lógica. Ela é para mim algo essencial, seja no comportamento, seja na ideologia, mas principalmente no discurso (na linguagem). Existe uma regra básica dentro dela, na qual as premissas (afirmativas ou negativas) podem ser universais ou particulares, sendo usado nestas o "alguns" e naquelas "todos". Quando se usa uma premissa universal para algo particular ocorrerá uma inconclusão lógica, isto é, raciocínio ilógico. Pois bem, existe uma falacia chamada "generalização apressada", que, como já se pode inferir, é um raciocínio que parte de algo generalizado sem uma verificação aprofundada do fato. Quando alguém afirma, por exemplo, que todos que cursam Filosofia são loucos, está sendo ilógico, pois não se aprofundou para ver cada indivíduo, o mesmo serve aos vegetarianos, aos homossexuais, as pessoas trans, as feministas, aos religiosos, aos artistas, aos governantes, aos homens. Era nisso que eu queria chegar! Afirmar que "todos os homens são agressores" (ou potencialmente), que "nenhum homem sofre abusos",  que "nenhum homem é estuprado", que "todos os homens são criados para serem algo", entre outras, é uma generalização apressada sim! Não se estuda cada indivíduo, pragmatiza-se parte destes e os torna todos. Mas nessa brincadeira se excluem outras culturas em que homens não são criados assim, excluem pessoas as quais foram impostas ao gênero ao nascer, mas que não são, os homens que são homens, mas não foram colocados nesta "caixa" ao nascerem, excluem aqueles que tem relacionamentos abusivos, que apanham, que são estuprados (e não só em relações homossexuais), aqueles que perceberam a criação que tiveram e que fogem desta. E não me venha com "mas isso é raro, 1% no máximo", porque primeiro não é e segundo porque, sendo ou não, deve ser considerado. Então não são TODOS os homens e sim ALGUNS (quase todos, boa parte, a maioria, se ainda quiser insistir nisso). Nós estamos enfiados na mesma ideologia, nem todas as mulheres conseguiram sair do ideal que as submetem e vocês querem mesmo que os homens saiam tão facilmente do ideal de dominadores? Então, amigues, da próxima vez que pensarem em falar nesse maldito "todos", pensem em três coisas:
1) Vocês estão reproduzindo um ideal de classe ao reverso. Eles dizem "todas as mulheres devem ser belas, recatadas e de seus lares" e vocês respondem com "todos os homens são agressores por natureza" (essa natureza para mim nem lógica tem). É quase como se reafirmassem o lugar que eles colocam vocês, quando dizem que eles são o contrário disso.
2) Vocês excluem uma cambada de pessoas que sofre o mesmo machismo. Me disseram esses dias "a travesti vai sofrer com o machismo, a mulher trans vai sofrer com o machismo, o cara trans vai sofrer com ele também" e ainda "por mais que você não se considere mulher, você vai ser lida e sofrerá como uma só por acharem que você é".
3) Não se combate opressão com opressão.

Era isso, o desabafo.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Padrão Vadio

Resolvi escrever sobre uma coisa que vem me incomodando e sei que muitas pessoas a minha volta também. Então, como eu já disse aqui, eu tenho 105 quilos e eu sou vadia. MAS NINGUÉM ACREDITA. Eu sei, eu sei, “ninguém tem nada com isso” e também “não precisa provar nada para ninguém”. O negócio é de que o fato delas não acreditarem está relacionado aqueles números ali em cima. Portanto, esse texto aqui é sobre como existe um certo padrão para tudo, até para ser uma vadia.


Eu sei que as pessoas que vão ler são, em sua maioria, desconstruídas e também sabem que o ideal vadio não corresponde a realidade, mas vamos fingir que não e pensar um pouco como aquelas pessoas que acreditam fielmente nele para responder a algumas questões. Então, vamos lá.


Quando você pensa no termo “vadia” qual é a imagem formada na sua cabeça?
Boa parte da população citaria exemplos de alguma personagem de telenovela que provoca homens (exatamente, no sentido heterosexual) com as suas roupas curtas e perfeitamente ajustadas a um corpo escultural (magro ou estilo “panicat”), com cabelos compridos até a altura da bunda (e que bunda né?), super maquiada e incapazes de ter um relacionamento de verdade ou de deixar “em paz” os relacionamentos a sua volta.
Pense quais dessas são vadias:
  • A moça da propaganda de absorvente ou amaciante (estereotipada), que tem roupas ‘comportadas’, sem decotes e no comprimento “adequado”, que demonstra ser muito delicadas e quando os homens olham ela é para ver a sua beleza e sentir perfume, ou a moça da propaganda de cerveja (extremamente machista), a que está num bar cheio de homens com um calção aparecendo a polpa da bunda e com um decote que é maior que o tamanho da blusa (mesmo se elas estiverem dentro da geladeira), que sempre aparece com uma cara de safada e “pronta para tudo” com aqueles caras, que é desejada do ínicio ao fim e referida pelas partes do seu corpo.
  • Uma mãe de família, com uns quarenta anos, com os quilos a mais que o casamento, já acabado, proporcionou e que tem uma vida, aparentemente, resumida aos filhos e ao trabalho ou um mulher, também com seus quarenta, sem filhos e marido, que vai a academia todo dia com roupas “sensuais” e tem os finais de semana regados a danças e álcool.
Mesmo se eu não estivesse detalhando elas tanto assim, a resposta seria, quase sempre, nas duas opções dadas a segunda moça.


Enfim, eu não estou dentro dessa imagem construída de o que é uma vadia. Eu sou gorda, atualmente careca, me visto com roupas largas da sessão masculina (tipo um mano), não tenho belos peitos (ainda rsrs) nem o tal corpo escultural e não me relaciono só com homens -
eu sou pansexual, na realidade. Essa última característica é a única que faz com que eu seja “considerada”, pois há um grande preconceito com pessoas pans, a maior parte das pessoas acham que isso é um código para promiscuidade e para não se controlar com qualquer ser por perto, mas não lembram que na verdade significa que eu tenho atração por pessoas independente do gênero e somente isso. Aí quando a pessoa que está por perto não sabe deste detalhe e eu falo algo do tipo “fazer o que? Eu sou vadia mesmo!” a reação é mais ou menos igual a quando se vai a cozinha a noite e acha que viu algo na janela ou quando você dá like em uma pessoa horrível no app de pegação sem querer. É uma reação de estranhamento (às vezes inconsciente, mas igualmente problemática) ao fato de eu não estar dentro deste padrão de “como ser vadia”.


Como eu disse, isso não incomoda só a mim. Muitas amigas gordas reclamam sobre isso, como se ser vadia dependesse de um determinado corpo e não de como você se sente ou do quanto gosta de ser livre. Como se fosse impossível você “conseguir” ser vadia tendo determinado tamanho\peso, isso porque nenhum homem (ou ninguém, no meu caso) iria querer comer uma pessoa gorda. E eu sei que isso seria algo para não nos importarmos, já que é preconceito que sofremos em muitos outros setores, muito mais importantes que o sexual (como ir a médicos, entrar em academias, conseguir empregos). Mas o problema é que vejo muitas manas, que lutam contra a opressão e contra os padrões incorporados na nossa sociedade, reproduzindo isso. As mesmas que vão na Marcha ou que postam afirmações militantes todos os dias nos olham com o mesmo estranhamento. E isso é, meu amor, além de reprodução de machismo, gordofobia.
Não deveríamos sentir a necessidade de provar que podemos ou o quanto nos amamos, até porque nem sempre nós temos certeza disso. Ser gorda é um processo interno gigantesco de aceitação ao próprio corpo, de negação de valores sociais pré estabelecidos e não algo externo de afirmação vazia de uma beleza que não se acredita ter. E mesmo a mais autoconfiante, a mais aceitada, a mais contente com a sua condição acorda, às vezes, com vontade de quebrar o espelho. E sabe o porque? Porque em todos esses pequenos gestos mostram-nos o contrário do que estamos construindo em nós.
Com tudo isso expulso do meu peito, eu queria deixar dois recados. Você que nunca sentiu essa sensação que eu descrevi pense se você não é a outra pessoa, a que encara, a que quase ri e, se for, eu espero que trabalhe para desconstruir isso em você mesma. Se você é a pessoa que sentiu, a que sabe exatamente do que eu estou falando, CALMA, VOCÊ NÃO ESTÁ SOZINHA, existem outras pessoas que passam por isso (algumas nem estão tão fora do padrão assim e sofrem também) e acima de tudo, continue trabalhando isso dentro de você para que ninguém consiga tirar seu amor próprio nem sua vontade de continuar lutando e sendo a pessoa MARAVILHOSA e VADIA que você é.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Lá se vai o campeonato

Você não me mandou embora, mas também não me pediu para ficar.
E nesse vai não vai, eu me sinto impotente, como quem foi colocado no banco a anos e não sai por medo de prejudicar o time, mas também sabe que ali não é seu lugar.
Ninguém deveria passar a vida esperando um atacante se machucar para poder entrar no jogo.
Ainda assim, passo os dias, a torcer pela vitória mesmo não entrando em campo.
É difícil se apaixonar por algo que nunca será seu. Seu não no sentido de propriedade, mas num sentido de participante, de ser parte do time, estar no jogo. 
Mas como pedir para entrar no jogo sem saber se te querem nele? Ou, pior, sem saber jogar? 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Lixo

Eu não deveria ser assim

Eu não deveria ofender os outros

Eu sempre machuco todo mundo

Eu sempre ofendo todo mundo

Eu sou a pior pessoa do mundo

Eu sou um lixo de ser humano

Eu sou uma merda

Eu não deveria existir.


Se eu sou assim pq ainda me mantenho viva?
Talvez eu gere mais sofrimento assim do que…
Talvez elas estivessem melhor sem mim.

Eu deveria parar de tentar.

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

É sobre você de novo

Eu sempre consegui suportar o fato de te amar e saber que nunca seria recíproco, nunca seriamos um casal e que seu interesse em mim estava longe de ser físico/sexual. Mas eu não posso evitar lágrimas ao ver você me trocando como amiga. E sim, trocando, pois ela não está sendo agregada a sua vida, ela está sendo colocada num lugar que antes era o meu. O pior disso tudo que ali sim é uma relação de interesse, por mais que você negue, por achar que vou ficar com ciúmes, está na sua cara a vontade de tê-la. E é, eu estou com ciúmes, mas não pelos mesmos motivos de antes. Como você, justo você que preza tanto a amizade, pode me jogar de canto assim, me substituir? Eu sou tão facilmente substituível?